
O texto abaixo foi escrito pela Doutora em Antropologia da Arte Elena Maria Andrei da Universidade Estadual de Londrina. Os três números que compõe a série Vampiria nasceram de intenções aparentemente contraditórias: a produção de um quadrinho que respondesse ao interesse romântico/pop sobre os vampiros; a construção de um quadrinho brasileiro, cuja história acontecesse no Brasil e de um jeito nosso, com a linguagem da nossa cultura; e, a necessidade de criar um material para-didático que respondesse às demandas das Leis 10.639/03 e 11.645/08. Impossível? Na realidade, foi preciso somar os esforços das pesquisas afro-centradas que conduzimos no NEAA, com a habilidade de roteirista do Mikael Bissoni e com o apoio de pesquisadores e bibliografia específica sobre os povos e eventos que marcam Londrina e o norte do Paraná. Então, o primeiro número da série (Wãxy e Ury), fala dos Kaingáng e da importância dos seus mitos de criação: são esses mitos que determinam a história, na verdade. No segundo número (Bradarau) surgem os ciganos e os capoeiras, parte, muitas vezes esquecida, dos migrantes que fizeram Londrina crescer: são eles que explicam ao nosso herói quem ele é realmente e o que deve fazer. E, no terceiro número (Ofá), nosso herói, um jovem negro, irá enfrentar seu terrível antagonista, para salvar sua amada, uma jovem mestiça que foi dekasegui: e a luta final descreve simbólicamente o confronto entre as forças políticas e sociais que mapeiam a sociedade brasileira. E, para que os professores possam usar o material de forma mais confortável, cada número apresenta duas páginas de cunho informativo e eduacional. Tudo isso, com apuro gráfico, num estilo sofisticado e moderno - inteiramente produzido por jovens artistas que estão se lançando no mercado. Somando os esforços acadêmicos da Universidade com a agilidade e o compromisso da ONG Flapt! Associação dos Colaboradores da Gibiteca de Londrina.
Roteiro:
Mikael Bissoni
Desenhos:
Gustavo Zannin
Retículas:
Fortunato Lima